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Use óculos também
em dia nublado.
Pesquisa
mostra que brasileiro pouco sabe sobre os riscos da radiação
solar à saúde ocular. O primeiro passo é usar óculos
também quando o sol não aparecer.
Andressa Zanandrea
O brasileiro está atento
aos riscos que a exposição ao sol sem proteção
pode causar à pele. Mas a minoria, apenas 6%, sabe que também
pode haver problemas futuros nos olhos, como catarata, irritações
na córnea e lesões na retina. Na região Sudeste,
o número é ainda mais preocupante: apenas 5% dos entrevistados
sabem desse risco. Os dados são da pesquisa Transitions/Ibope,
divulgada este mês.
Quem já tem algum problema para enxergar e precisa usar óculos
de grau está mais bem informado: 36% dos usuários de lentes
corretivas disseram saber dos efeitos nocivos do sol para os olhos. Para
o chefe do setor de catarata do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo, o oftalmologista Newton
Kara José Júnior, a pesquisa mostra que é preciso
ter mais cuidado com a visão. “Assim como passamos protetor
solar, precisamos proteger os olhos, pois o efeito da radiação
solar é cumulativo.” Por isso, é importante começar
a proteção o mais cedo possível. “Quando a
criança sair do carrinho e começar a brincar, já
deve começar a usar óculos e boné.”
Entre as doenças favorecidas pela exposição solar,
a catarata - a maior causa de cegueira reversível - é uma
das mais conhecidas e, para ela, há cirurgia. A mais preocupante,
porém, é a degeneração macular, segundo o
médico. A mácula (parte central da retina, que seria como
o filme de uma máquina fotográfica) sofre com o passar do
tempo e com a radiação solar e, com isso, vai perdendo a
função visual. O combate se dá apenas com a prevenção,
pois não há tratamento eficaz para o problema. Além
dos prejuízos aos olhos, a radiação, segundo o médico,
pode ocasionar problemas também à pálpebra, que é
a pele mais sensível do corpo. Ela pode ser acometida por câncer
de pele, por exemplo.
Para proteger os olhos, o “filtro solar” indispensável
são os óculos. As lentes, sejam transparentes e de grau,
sejam escuras, devem ter proteção ultravioleta. “Além
de filtrar a radiação que possa ir para a mácula,
o óculos vai proteger a córnea, a conjuntiva e a pálpebra”,
afirma José Júnior. Os óculos sem proteção,
no entanto, são um perigo: fazem com que a pupila dilate, entrando
mais luz no olho, favorecendo ainda mais lesões.
Não dá para se descuidar nem nos dias nublados, em que também
há radiação ultravioleta, lembra o oftalmologista
Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier. Quem usa óculos
de grau deve se assegurar se as lentes têm proteção
contra os raios UVA e UVB: estudo recente feito pelo oftalmologista com
223 pacientes com idades acima de 50 anos mostrou que 42% usavam lentes
corretivas, mas 70% dos óculos não tinham proteção.
Uma boa saída para quem se incomoda em usar óculos escuros
em dias com menos luminosidade são as lentes mais claras, em tons
de cinza, verde e lilás, também com proteção.
“A cor da lente interfere apenas no conforto”, explica Queiroz
Neto.
Miopia é o mais comum
Outra pesquisa, a Health Sight Study, feita
em oito países, revelou que 75% dos brasileiros relataram ter problemas
de visão. O mais comum é a miopia, que acomete 37% da população.
O astigmatismo ficou em segundo lugar, com 30%, e a sensibilidade a luminosidade
em terceiro, com 19%. Esse estudo ouviu 1007 pessoas, de todas as regiões
do País.
Fonte: Jornal da Tarde
26 de abril de 2009
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